Cachoeiras Urbanas | Urban Falls | 2012

exhibitions | exposições

O Estado da Arte
Instituto Figueiredo Ferraz (IFF), Ribeirão Preto, SP 2016
curadoria | curatorship Maria Alice Milliet

O Espírito de Cada Época
IFF, Rib. Preto, SP 2015
curadoria | curatorship Rejane Cintrão

Além da Forma - Plano, Matéria, Espaço e Tempo
IFF, Rib. Preto, SP 2012
curadoria | curatorship Cauê Alves

Urban Waterfalls

Cachoeiras Urbanas (Urban Waterfalls) and Last Dream are productions based on observation of unplanned growth and ur­ban redesign of the city of São Paulo.
In cities without planning, neglect of public space seems accepted and almost institutionalized as something that is part of a path of no return. In them, I found a large number of de­personalized spaces that had their stories stolen by constant demolitions. It can be said that witnessing the constant process of replacement of historic buildings for modern, over the years, citizens no more recognize their own city. They are subject to deformation in terms of possibilities and expectations to inte­grate the space they live in. Now, citizens who grew up and sur­vived in this context have their answer. What I witnessed was a social landscape carved by wear, full of anesthetized and almost powerless citizens in relation to the space where they live. It is a process that triggers the deconstruction of urban space, with a society forced to participate in this game, a game built through manipulation of capitalist interests.
Here, the testimony is in a way the city itself. In a process of no return, citizens daily witness the erasure of their history and experience a city full of gaps. They are ruins that explic­itly reveal a void that bothers, where we see the erasing of the past, apparently forgotten.

Cachoeiras Urbanas

Cachoeiras Urbanas e Last Dream são produções que partiram da observação do crescimento não planejado e do redesenhar urbano da cidade de São Paulo.
Em cidades sem planejamento, o descaso com o espaço público parece aceito e quase institucionalizado como algo que faz parte de um caminho sem volta. Nelas, encontrei um grande número de espaços despersonalizados, que tiveram suas histórias roubadas por demolições constantes. Pode-se dizer que, presenciando o constante processo de substituições de prédios históricos por modernos, com o passar dos anos, o cidadão não se reconhece mais em sua própria cidade. Fica sujeito a deformações em termos de possibilidades e expectativas de integrar o espaço em que vive. Agora, o cidadão que cresceu e sobreviveu neste contexto apresenta sua resposta. O que presenciei foi uma paisagem social esculpida pelo desgaste, repleta de cidadãos anestesiados e quase impotentes em relação ao espaço em que vivem. Trata-se de um processo que deflagra a desconstrução do espaço urbano, junto da sociedade, obrigada a participar deste jogo, um jogo construído pela manipulação de interesses capitalistas.
O testemunho aqui é de certa forma a própria cidade. Em um processo sem retorno, os cidadãos presenciam diariamente o apagamento de sua história e vivenciam uma cidade repleta de lacunas. São ruínas que revelam explicitamente um vazio que incomoda, onde vemos o apagar de tempos passados, aparentemente esquecidos.

Cachoeiras Urbanas is a job in video, recorded in various demo­litions in São Paulo. It is a survey that starts from the idea that fixed structures also fall and, therefore, the identity of both the city and the citizen keeps on redesigning. Cachoeiras Urbanas brings together a number of buildings falls during the demolition process, proposing a critical eye, not only real, but also meta­phorically speaking. It starts from a research on the redesign of the city, using the demolition falls as a metaphor to talk about the dismantling of the city and the subject’s memory, and of the political and institutional power.
Recorded in various demolitions, Cachoeiras Urbanas was edited and finished in an almost unique and continuous movement of breaking and falling of walls, beams, slabs, water tanks or entire buildings. The video gradually shows the dismantling of urban structures that break, fall and fall apart, even crumble and turn into sand. Many hours of footage were shot at demolition sites, because if we consider that each fall lasts more or less one to two seconds, it took us some weeks to gather a consistent material for a six-minute video. To the sound of demolitions, the video, presented in a loop, plays a continuous dismantling of urban space. It refers not only to the falling buildings, but to the breaking of structures of power, the breaking of dreams and hope to keep alive a reality that no longer exists.

Cachoeiras Urbanas é um trabalho em vídeo, gravado dentro de diferentes demolições no Estado de São Paulo. Trata-se de uma pesquisa que parte da ideia de que estruturas fixas também caem e, com isso, a identidade não só da cidade, mas também do cidadão vai se redesenhando. Cachoeiras Urbanas reúne uma série de quedas de prédios durante o processo de demolição, propondo um olhar crítico, não só de forma real, mas metaforicamente falando também. Parte de uma pesquisa sobre o redesenhar da cidade, usando as quedas de demolições como metáfora para falar do desmanche não só da cidade e da memória do sujeito, mas do poder político e institucional.
Gravado em diversas demolições, Cachoeiras Urbanas foi montado e editado em um movimento quase único e contínuo de momentos de quebras e quedas de paredes, vigas, lajes, caixas d’água, ou mesmo de prédios inteiros. O vídeo vai, aos poucos, mostrando o desmanche das estruturas urbanas que se quebram, caem e se desmancham, até se esfarelarem e virarem areia. Muitas horas de imagens foram captadas em demolições, pois, se considerarmos que cada queda leva em média um a dois segundos, para se reunir um material consistente para um vídeo de seis minutos, foram necessárias algumas semanas de captação de imagens. Ao som das demolições o vídeo, apresentado em loop, reproduz um desmanche contínuo do espaço urbano. Remete não só à queda dos imóveis, mas à quebra das estruturas de poder, à quebra dos sonhos e da esperança de manter viva uma realidade que não existe mais.